quinta-feira, 7 de abril de 2011

Review 5x01 – My Bad


O risco que se corre ao esperar muito de uma série, é a possibilidade latente de se decepcionar. Mas são episódios como esse que fazem tudo valer a pena. “My Bad” não somente foi o melhor início de temporada de Dexter, como também possivelmente um dos melhores de toda sua história.

Caminhando entre o limite da emoção e da  letargia, a season premiere trouxe um Dexter puro em sua essência. Por muito tempo, apesar das mortes, esquecemos que o personagem não é e nem deve ser considerado uma pessoa comum, com sentimentos comuns, com reações comuns. Ele apenas aprendeu a imitar as sensações alheias. Talvez por isso, ao enfrentar uma situação como a da morte de Rita (Julie Benz), soou tão  perdido e ao mesmo tempo tão assustado e assustador.

É provável que essa tenha sido a primeira vez em que tenha mostrado tão nitidamente o vazio que existe dentro de si. Ao contrário da maioria, seu sofrimento não fica estampado no rosto através de lágrimas. Foi inevitável passar o episódio inteiro esperando o momento que fosse finalmente explodir. Mas antes disso, seu comportamento pareceu frio o suficiente para gerar um certo clima de conspiração, que deve estar presente em toda temporada.

Quinn (Desmond Harrington) parece disposto a ir mais fundo na investigação do assassinato, tendo Dex como principal suspeito. E não me agrada em nada a possibilidade de ter um novo Doakes (Erik King) no enredo. Espero que o roteiro consiga fugir da repetição. Principalmente porque aquela pele ultra bronzeada, aliada ao passado aparentemente duvidoso, não inspira confiança. E também porque, pra ser sincera, ele não faz a menor falta.

Mas por falar nele, o que foi a reação de Debra (Jennifer Carpenter)? Ajudou o irmão, cuidou do sobrinho fofo. Mas haja desprendimento para superar tanto sangue e sentir tesão em meio à cozinha de sua cunhada recentemente morta, não? Tudo bem, todo mundo sabe que os irmãos Morgan tem dificuldade em enfrentar problemas. Enquanto um encontra alívio na morte, o outro prefere sexo. Mas assim, precisava mesmo mostrar aquela bunda branca? Desnecessário.

Implicâncias à parte, o envolvimento entre os dois parece ter apenas começado, o que me leva a crer que não vá terminar bem. Os relacionamentos de Deb já são tragicamente conhecidos por isso, e nada me convence que no fundo o policial não possua uma faceta de vilão, ainda a ser revelada.

Outra coisa, entre as poucas que me desagradaram, foi a atitude de La Guerta  (Lauren Vélez) perante o crime. Nunca entendi essa ideia de juntá-la com Batista (David Zayas). E agora, ainda tenta soar como uma mocinha juvenil que gostaria de aproveitar o conto de fadas do casamento? Como Angel mesmo disse, Rita fazia parte da “família”, e decidir que é melhor não se envolver é puro egoísmo.

O lado bom disso, é que deve manter seu departamento longe das investigações. A interrupção no momento em que ouviam a ligação de Dexter para a polícia foi providencial. A falta de emoção naquela voz ainda vai se tornar um problema.


Ainda bem que nenhum investigador estava próximo no momento em que as crianças ficaram sabendo sobre o que aconteceu com a mãe. A frase pré-fabricada e roubada da funerária foi tão surreal quanto o chapéu de Mickey durante a conversa. Foi difícil não rir com a impossibilidade daquela cena. E foi isso o que mais me surpreendeu no episódio. Perceber quão diferente é o mundo em que o personagem vive.

A julgar pelas imagens do flashback, ele aparenta ter regredido ao ponto em que não possuía Rita em sua vida. Desde o primeiro encontro, ela ocupava um segundo plano. Dividia o namorado, o marido, com os impulsos da caça, com o tal passageiro obscuro. Porém, em determinado momento, conseguiu avançar um pouco nessa barreira e torná-lo tão humano quanto consegue ser ou demonstrar. Mas na frente daquelas crianças, ele voltou a ser alguém sem o menor trato social.

O mais interessante, é que apesar da máscara de insensibilidade, isso não o impediu de sentir culpa. Saber que um inocente foi morto por sua causa, foi o que mais o atingiu. No entanto, apesar de ter tentado se livrar dos vestígios de sua verdadeira identidade, foi apenas na morte de outro (possível) inocente, que conseguiu descarregar o peso dessa frustração. Especialmente por que essa é uma vingança que nunca vai poder ter. E foi quando isso aconteceu que eu senti medo de Dex pela primeira vez.

Ele sempre matou, sempre mutilou. Sempre mostrou o primeiro golpe. Mas tudo parecia tão lógico e necessário, que era inevitável não ficar ao seu lado. Acompanhávamos as justificativas da vingança e concordávamos. E dessa vez não foi assim. É óbvio que a vítima não parecia nada apresentável e provocou seu destino, mesmo assim, a virulência como o atacou foi insana e assustadora. Talvez por isso tenha sido a primeira vez em que o enxerguei como alguém que realmente mata.


Não posso deixar de comentar aqui, a atuação de Michael C. Hall. Não apenas nessas cenas, mas em todas elas. O vazio no olhar, o impulso violento, a sensação de anestesia foram brilhantes em todo capítulo. Há tempos que não consigo imaginar outra pessoa interpretando o mesmo papel. E em se tratando da parte técnica, a trilha sonora também esteve excelente, pontuando cada momento.

Confesso que não sei exatamente o que esperar daqui pra frente. A cena final, em que Dexter descobre ter amado Rita me deixou tão confusa e surpresa quanto a ele. Será mesmo possível que aquele homem que parecia anestesiado durante o tempo todo, mudou parte de si por amor? Será que no fim das contas, apesar das 67 mortes, Dexter foi mesmo o melhor que ela poderia ter conseguido? Será que o Código de Harry vai ganhar uma nova lei?

Mas independente do rumo que a história siga nesse quinto ano, a única certeza que tenho é que Dexter tem tudo pra se tornar uma das melhores séries que já assisti. A temporada promete.

Por: @xtallulahx - Blog Na TV

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